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Conteúdo de web precisa ser interativo e compartilhado para ter relevância

Para ter relevância na web, o conteúdo deve ter destaque em buscas, ser desenvolvido para que seja compartilhado, garantir a interação e estar adequado ao contexto da pessoa ou público que pretende atingir. Estes são os principais aspectos apontados pelo diretor de inteligência de mercado da Terra Networks, Marcelo Coutinho, para tornar um negócio ou atividade viável na rede mundial.

O especialista observa que as pessoas são os principais ativos da web e que todos os conteúdos devem ser produzidos cada vez mais sob a perspectiva do usuário. Pois, só assim, enfatiza ele, terão sucesso no mundo virtual. Coutinho, juntamente com Max Petrucci, presidente da Garage Interactive Marketing; Alexandre Canatella, CEO da e-Mídia; e Marcelo Epstejn, diretor geral do UOL, participaram de painel realizado nesta quarta-feira, 16, no Web Expo Forum, em São Paulo, evento promovido pela revista TI Inside e organizado pela Converge Comunicações.

“Produzir conteúdo baseado no contexto de usuário é muito importante para garantir a relevância. Além disso, este conteúdo precisa ser rentável para a empresa”, ressalta Coutinho. Para ele, a internet ainda não alcançou a devida importância que cabe a ela no bolo publicitário, já que sua receita é inferior à de jornais e revistas, apesar de ser hoje uma mídia mais massificada.

O diretor geral do UOL, Marcelo Epstejn, corrobora a opinião de Coutinho, e salienta que para ser relevante o conteúdo tem que “entregar” algo que gere percepção de valor para o internauta, o que é pessoal e pode ser mutável, dependendo da situação. “Tem de atingir o público com aquilo que ele quer ver, no formato certo e no momento oportuno”, diz o executivo, frisando que o conteúdo também precisa ser pertinente, diferenciado, comentado e interativo. “A passividade não existe mais na internet”, alerta.

Em relação ao modelo de negócio para a nova era da web, marcada pela interação, colaboração e redes sociais, os especialistas são unânimes em reconhecer que ainda não existe um modelo padrão para a venda de publicidade, mas acreditam que a receita será proveniente de novos modelos, diferentes e complementares.

Gasto com publicidade na web deve crescer 25%, prevê IAB

A internet abocanhou 4,49% de todo o bolo publicitário no ano passado, quando os gastos em publicidade on-line atingiram R$ 1,23 bilhão no país, um aumento de 29% na comparação com 2009, de acordo com levantamento divulgado pelo IAB Brasil (Interactive Advertising Bureau) nesta terça-feira, 1º. Para este ano, a estimativa é que haja uma expansão de 25%, totalizando R$ 1,55 bilhão. Caso a cifra se confirme, a propaganda virtual passará a responder por, pelo menos, 6% do bolo.

A projeção do IAB Brasil é que o percentual salte para 10% nos próximos anos. Fábio Coelho, presidente da empresa, ressalva que o montante não inclui, no entanto, os gastos com publicidade nos resultados de buscas na web, como links patrocinados. “Se for incluída essa modalidade de propaganda, o faturamento praticamente dobra”, afirma.

Mobilidade, redes sociais e a expansão dos usuários de web no Brasil são apontados pela entidade como os principais fatores que darão maior visibilidade e relevância para a publicidade on-line. Ao dizer que o Ibope registra que o país fechou 2010 com 73,7 milhões de usuários de internet, o IAB prevê que este número crescerá para 81 milhões neste ano.

Em relação à publicidade on-line em smartphones, o IAB prevê uma expressiva expansão neste ano. O otimismo tem como base a estimativa de que os acessos 3G devem mais que dobrar, totalizando 35,2 milhões de dispositivos, ante os 14,6 milhões de 2010. “As ofertas de banda larga móvel pré-paga serão um instrumento importante para alavancar o número de consumidores com acesso à internet móvel e isso representa uma grande oportunidade para a publicidade on-line”, enfatiza Coelho. Ele ressalta que o volume mensal de page views provenientes de celulares deve dobrar, saltando de 250 milhões por mês, em 2010, para 500 milhões mensais neste ano.

Vendas pela internet devem se manter em alta neste mês

A agência digital WEBTraffic registrou aumento de 17% nas vendas feitas através de suas campanhas entre novembro de 2010 e este mês, na comparação com o mesmo período de 2009. Além do crescimento de 29% no volume de buscas pelos principais termos relacionados ao Natal, a empresa constatou que o aumento do tíquete médio na web – R$ 295 segundo estudo realizado pela plataforma digital MoIP – também foi responsável pelo aquecimento do setor no período.

Este mês, o movimento na internet deve continuar registrando alta. Quem explica a tendência é Flávio Luizetto, diretor de operações da WEBTraffic. “As buscas se mantiveram altas até o Natal. E voltaram a subir a partir da primeira semana de janeiro. Esse movimento é acompanhado pelo investimento e cliques nessas categorias”, disse.

Neste ano, a curva positiva nas vendas deve ser incrementada em razão do maior acesso à internet das classes C e D, que estão passando a consumir produtos de maior valor agregado e pela competitividade do mercado, que oferece cada vez mais opções ao consumidor.

Os principais setores responsáveis pela alta sazonal, segundo Luizetto, são os de ar-condicionado, material escolar, moda praia, viagens e artigos relacionados ao Carnaval.