Celular e equipamentos móveis, a fronteira final! A paráfrase ao clássico de ficção Jornada nas Estrelas bem poderia ser o lema das empresas que já acordaram para o potencial da mobilidade. Ainda pouco explorado pelas empresas, o mundo móvel e seus mais de 190 milhões de usuários no Brasil promete ter para o mercado corporativo o mesmo peso que teve a Internet. As primeiras experiências são recentes, mas já existem cases que exploram marcas, produtos e serviços no ambiente móvel. Já há mesmo empresas dedicadas ao tema.
Todas de olho na previsão do mercado de mobile advertising, que de acordo com a eMarketeer deve movimentar mundialmente US$ 1,56 bilhão até 2013, sendo que o Brasil pode abocanhar algo entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões. Outra projeção mundial, feita pela PriceWaterhouseCoopers em 2009, indicou que nos próximos três anos cerca de 30% de todos os anúncios serão digitais, interativos, móveis ou colaborativos.
Promissor, não? Mas ainda há obstáculos. “Ainda existe uma disparidade entre o usuário, o seu poder, o uso da plataforma e o que as corporações investem. Temos um grande volume de aparelhos, mas se aproveita pouco essa realidade. O celular é quase um PC o dia inteiro na mão do usuário”, argumenta David Reck, diretor da Enken Comunicação Digital. Uma possível resposta para o reduzido uso das plataformas mobile nas ações de relacionamento e marketing das corporações seria o conservadorismo ou ainda a centralização das campanhas de marketing em plataformas e veículos tradicionais. Se a web ainda é o primo pobre (do mercado publicitário), a mobilidade é a prima que ainda precisa de algo como um “bolsa-família”.
Mas a rápida expansão da Internet móvel e a proliferação de smartphones está mudando esse quadro e mais empresas estão acordando para o universo da mobilidade como plataforma para marketing e relacionamento.
Mas ainda existem diversas barreiras. Mesmo entre as operadoras de celulares, que se beneficiam diretamente do maior uso do meio. Elas ainda estão mais preocupadas com a retenção do cliente final do que com a oferta de uma nova janela de marketing. Ao mesmo tempo, a possibilidade de o usuário acessar a Internet de seu aparelho retira um bom naco do poder das teles móveis.
Outra barreira é regulatória. A regulamentação que permitiu que os usuários registrem a recusa em receber SMS promocionais em seus celulares travou aquilo que já não era tão utilizado, porém há quem fale que o principal problema está centrado nas próprias operadoras. “A Lei não é tão importante nessa equação quanto a falta de movimento das teles”, critica Reck.
Pela natureza incipiente do mobile marketing, até mesmo algumas definições precisam se consolidar. “É preciso encarar e entender o mobile muito mais como uma plataforma e menos como um veículo. Ele se presta a diversos fins de comunicação, como publicidade, promoção, ativação ou marketing direto. Nesse sentido, as empresas precisam complementar às suas estratégias de comunicação, seja off-line ou online, com o celular”, garante Léo Xavier, CEO do Grupo Pontomobi.
Dentro desse princípio de complemento, como as corporações que já investem em mobilidade estão lidando com a plataforma? Para Reck, existe tanto o investimento em campanhas ou projetos específicos como algo que se inicia no macro e acaba envolvendo o mundo móvel. “Temos as duas formas, porém o maior problema estratégico é a falta de continuidade mesmo, de projetos que começam e morrem rapidamente”, garante o executivo da Enken.
A plataforma de mobile marketing parece viver o que aconteceu com a web na década de 90, quando aquela forma de comunicação realmente ganhou significação e importância no mercado. No entanto, lembra Xavier, algumas empresas globais já trabalham de forma consistente em vários mercados mundiais. E ele cita Unilever, Dell, Coca-Cola, e Ford, entre outros. No Brasil, o case do Jockey Club também é emblemático.
Outro exemplo é o projeto 10k, da Nike, que uniu celular, mobilidade e redes sociais com o uso de um aplicativo da Apple. Ou ainda projetos que apostam na interatividade, mesmo que baixa, como no Big Brother – com a votação por SMS – ou das promoções feitas pela Globo na Copa de 2006, que serviu como um pontapé inicial de uso da plataforma. Ou ainda sofisticados como o projeto da Enken com a Gafisa, que disponibiliza um aplicativo móvel, um catálogo virtual, com uma série de recursos para uso no ambiente dos celulares e que serve para divulgar a marca e ainda fidelizar o cliente, mesmo que ele visite imóveis de outras corretoras.
Os formatos que essas empresas mais evoluídas utilizam são múltiplos e pensados em um grande número de equipamentos e na diversidade de sistemas operacionais existentes. Blackberry, iPhone, Android, Windows Mobile são algumas das plataformas, e os equipamentos vão de tablets a smartphones com capacidades de processamento e recursos diferentes, o que impõe mais um desafio às empresas que pensam em partir para a mobilidade em suas estratégias de marketing e relacionamento. Mas para o anunciante, mesmo que não padronizado, a efervescência do mercado é benéfica.
Mesmo a integração entre plataformas é algo que está na mira. Recentemente, o Grupo Pontomobi se associou à NewAd na criação da primeira empresa de mídia indoor interativa do mercado, como a empresa enfatiza, a NewAd.Mobi. “Vamos levar interatividade mobile – SMS, QR-Code, Bluetooth e Internet móvel – para cerca de 6 mil pontos distribuídos em 14 praças no mercado nacional”, projeta Xavier. Como complemento, a empresa está criando a Redemobi, uma rede de sites móveis e aplicativos composta por veículos de mídia como MTV, Jovem Pan AM, Guia da Semana e entre outros, que pretende ser um inventário de mídia ou uma rede de sites móveis para que as agências realizem campanhas nesse ambiente. (Claudio Ferreira)